Jornalismo, Literatura ou os dois?

Gonzo1(Gonzo – personagem bizarro e excêntrico de “Os Muppets”, inspirado no Jornalismo Gonzo)

Em meio ao New Journalism, que nasceu no início dos anos 60 e foi voltado à Literatura como forma de escrever com o intuito de vincular o jornalismo ao romance relatando detalhes até então descartados do estilo acadêmico jornalístico, nasce, no mesmo ano, a vertente Jornalismo Gonzo, que significa algo como “bizarro”.

“O Criador e o Gonzo”

O criador deste novo estilo jornalístico, o Gonzo, foi o jornalista norte-americano Hunter Thompson e o termo “Gonzo” foi evidenciado pelo repórter Bill Cardoso baseando-se em um artigo do próprio Thompson, quando este se referiu a uma gíria irlandesa do último homem que se mantém em pé após uma bebedeira. Percebe-se, então, que ironia e descontração provêm do nome.

hunter-thompson

(Hunter Thompson – fonte: reinodomedo.com)

Um novo estilo às linhas tortas

Este novo método fugiu ao padrão do jornalismo, já que adota a parcialidade plena e de caráter não sério e/ou objetivo, além de ser escrito sempre em primeira pessoa, o que transforma o repórter em personagem de sua própria reportagem.

A invenção de Thompson é um espaço considerável em meio aos jovens, como uma forma de aproximar o leitor da informação de forma mais leve (como se brincassem com a notícia), tendo em vista que a mesma é vivenciada pelos próprios repórteres, os quais se tornam os redatores.

H. Thompson Brasileiro

tognolli

(imagem: diáriohermes.blogspot.com)

Claudio Tognolli é o principal representante brasileiro do estilo jornalístico de Hunter S. Thompson. O chamado Jornalismo Infiltrado, ou Gonzo Jornalismo. Tognolli, atualmente, é professor da USP e da Unifiam, escritor das revistas Galileu e Roling Stones, e tem o site Consultor Jurídico.

Gonzo, a todos. Mas Jornalismo…?

Segundo o jornalista canadense Mitch Moxley, “Gonzo é a verdade através dos olhos do autor, que escreveu a história como um personagem. De fato, a busca do autor pela verdade torna-se a história. É altamente subjetivo, onde opiniões ilusórias tem valor; é agressivo e as pessoas retratadas freqüentemente são esquartejadas no papel”.

Apesar desse tipo de jornalismo nem sempre ser considerado válido por especialistas, devido ao fato ser muito parcial, não utilizar técnicas conhecidas no meio e transmitir informações sem importância para o entendimento da matéria, continua crescendo entre os leitores, que se interessam mais no momento por uma estrutura de jornal diferente. O público é atraído pela narrativa literária de vivências e descobertas pessoais em situações extremas ou de transgressão.

gonzo

Atualmente, o gonzo jornalismo tem cravado seu espaço na Internet, principalmente. Isso porque é quase impossível ter uma regra impedindo tal prática na web. Na imprensa online, qualquer pessoa pode ter seu espaço. A explicação para que o Gonzo impere na Internet é o fato dele aceitar qualquer pauta. Os blogs se tornaram grandes divulgadores deste tipo de prática. As páginas pessoais permitem aos usuários publicarem tanto diários virtuais quanto matérias jornalísticas específicas.

O interesse do público em um “jornalismo egocêntrico” acompanha a visível decadência da fórmula engessada à qual a maioria da mídia aparenta estar presa. Outro reflexo disso pode ser encontrado na cultura individualista que se abate no imaginário popular mundial por meio da imprensa.

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Uma resposta to “Jornalismo, Literatura ou os dois?”

  1. Bruno Says:

    parabens ae pelo post. muito esclarecedor.

    valeu.

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